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Foi num dia desse
que plantei um pé de gente.
Eu sei! Não brotou nada que valesse
ou que tão menos fosse decente.

Ah! Que tristeza!
Só colhi decepção.

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Na rua sem saída tinha um senhorzinho. Senhorzinho legal para uns até, estorvante para outros.
É que o senhorzinho lavava a calçada todo dia. Até em baixo de chuva o senhorzinho lavava a calçada. Fosse dia ou madrugada, o senhorzinho lavava a calçada. Folhas mortas, barro aos montes, vento chato, todos eram os inimigos do senhorzinho.
Hoje, a rua sem saída acordou um pouco vazia, pois perdeu o senhorzinho. Sua calçada por algumas horas ficou suja, esquecida… mas só por algumas horas; agora não está mais. É que a mulher do senhorzinho está lavando para ele agora; lavando com um sorriso no rosto, porque o senhorzinho deixou uma pensão gorda para ela no fim de todo mês. Ela até varre a calçada.
Quem pensou que a calçada ia ser abandonada, que ia ser suja, enganou-se. O senhorzinho deixou uma pensão gorda, bem gorda.
Ah! Esse senhorzinho! Pensou em tudo enquanto lavava a calçada.

 

Em brisas de uma
vida dispersa;
gritada,
meus sonhos se vão.
Se perdem em meio a
juramentos e promessas;
castiga sorrisos,
aceita perdões.
Meus sonhos sempre voltam
e depois se vão.
Às vezes cantam,
às vezes choram,
mas sempre se vão.
Pudera eu ter a coragem
de num sonhos desses,
juntar-me e não mais
me separar.
E se tiverem que ir,
vão!
Mas junto também irei.
Pois meus sonhos sempre
voltam,
e depois se vão.

 

 

 

 

foto de: http://www.fotolog.com.br/lessonincharades/87447945



– Faz um verso?

– Faço… mas onde está meu amor?

E na rua sem saída, a chuva caiu. Só nela

e nela

e nela

e só nela.

Estava muito suja a rua sem saída.

Parece que todos aqui foram viajar.

É aqui nesse canto
Que fiz minha casa.
Em baixo do pranto
Que fez minha asa.

Lágrima pequena
De um voo hostil.
Voa, voa, pena!
Sê aquele senil!

Nega teus espaços
Para o fim da era
Dos ventos escaços.

E na vil quimera
Voar é pedaços
De toda uma espera.

Ah! O acaso,

sempre me trazendo algum descaso.

Um dia com ele

quem sabe eu caso.

Um sonho cansa,
uma vida muda.
O cigarro queima
no tempo dos segundos
de um relógio perverso.
Pessoas vem,
amores se vão.
Pedidos esquecidos,
gritos em vão.
Paisagens secas
num monótono outono de verão.
O que fazemos não muda,
não insinua o diferente
para estar agora
tão presente quanto a vontade
de mudar.
Um beijo chora,
uma criança pede – egoísmo a parte –
estamos enojados dessa valsa
de viver.
É vergonhoso a capacidade
de não ser capaz;
de não mudar um sonho que cansa,
ou até mesmo,
uma vida que muda
sem a gente perceber.

Se eu pudesse dizer tudo que sinto,
diria palavras bonitas em teu ouvido.
Cantaria letras de músicas
e te faria chorar emocionada.
Escreveria poemas que teriam teu nome,
só para poder dizer o quanto és especial.
Te chamaria pra sair na chuva,
e de mãos dadas não te largaria mais.
Se eu pudesse, te abraçaria todo dia
e beijaria teu rosto bem forte.
Te desejaria bom dia, boa tarde e boa noite.
Faria surpresas, e daria um bombom; um beijo como
presente,
e em troca só iria querer um beijo também.
Ah, se eu pudesse ser teu anjo da guarda,
não desgrudaria de ti um segundo que fosse.
Te levaria para voar o mais longe que quisesse,
e como crianças, dançaríamos entre nuvens e céus.
Pediria para deus o teu sorriso para mim,
e guardaria numa caixinha que eu jamais perdesse.
E nos piores dias da vida, abriria,
e sorriria também, com certeza.
Se eu pudesse fazer tudo que tenho vontade,
te sequestraria e fugiria contigo para bem longe.
Viveria o resto de minha vida ao teu lado,
porque só assim eu morreria feliz.
Faria sonhos bonitos,
para que estivesse sempre perto de mim
e nunca se esquecesse que existo.
Te faria triste pelo menos um dia,
para saber que não sou perfeito,
e que me preocupo contigo.
E o resto dos dias,
tentaria ser o mais perfeito possível.
Te pediria em namoro todos os dias.
Com rosas e poesias, tentaria te conquistar.
Se eu pudesse, te telefonaria toda noite pra dizer um “oi”,
bons sonhos.
Seria teu melhor amigo e te contaria todos meus
segredos,
e iria adorar ouvir os seus;
como adoraria ter segredos com você,
só seus e meus.
Se eu pudesse, conversaria com você horas e horas.
Te faria rir sem parar, e também te faria fechar os olhos
ao saber
o quanto fui triste até tal momento.
Contaria toda minha vida,
e verias que nada foi tão importante quanto você.
Se eu pudesse, seria pequeno para que você cuidasse de
mim.
Pediria tuas mãos em meu cabelo,
tua respiração em meu ouvido.
Ficaria doente um pouco todo dia,
e faria de ti minha cura.
Sentiria frio com tua ausência,
e gritaria bem forte para que viesse correndo me aquecer.
Sim sim, se eu pudesse, escreveria teu nome em todo
lugar.
Na minha mão, carteira de escola, folhas de papéis
e muros da cidade.
Ficaria ansioso e colocaria a minha melhor roupa,
usaria o perfume mais gostoso que tenho,
só para te encontrar.
Se pudesse, sentiria ciúmes e demonstraria à você,
e como adoraria que você tivesse ciúmes de mim
também.
Diria a todo instante o quanto está linda,
e te pediria para vir correndo ver o quanto me sinto
bonito também.
Faria de teus olhos o meu paraíso,
de tua boca meu pecado,
teu coração…
somente meu.
Me esqueceria de tudo e todos.
Fecharia meus olhos e seguiria em frente com você,
sem medo de cair ou chorar.
Faria de cada momento ao teu lado,
infinito, eterno.
Se eu pudesse, fingiria que tudo é verdade
e pensaria em ti como só minha…
somente minha e de mais ninguém.
Se eu pudesse,
só te amaria e mais nada.
Ah! Se eu pudesse…

 
 
 Que ataque amnésia nos pensadores,
e acabe a filosofia neste instante.
Que eu julgue a capacidade dos eternos amores
para que eu não viva em desilusão constante.
 
Que se cale o sol sem lágrimas expostas,
e todas as estrelas forcem um adeus; vão embora.
Que eu perca todas as promessas – pequenas propostas –
para que ninguém me culpe como a ti em noutrora.
 
Era fácil no começo,
era eterno toda hora.
O que você fez, pouco me importa; esqueço-me.
Como seus beijos, jogo-os fora.


É do simples que se faz o perfeito;
é pelo perfeito que ela chora.
Que acabe os cantos dos anjos – seja eterno leito –
pois nada mais há de dar certo agora.

Descobri que a tristeza escreve poesias

em versos soltos.

Como podes tu negar o amor de infância? O amor de primeira viagem; de primeira vista. Com que clave tu furas o peito de um cupido sabido que criou tal sentimento? És tu grande o suficiente para condenar tamanha sutileza? Segues assim, calma, sem notar que o amor volta, vai, volta, vai e volta. Volta. É amor. É teu amor. Como podes?

Como podes tu negar o amor de infância? Amor adulto diante dos olhos crescidos. Amor invejado pela incerteza das dúvidas, da vontade que todos têm de amar. Não fujas, pois no amor de criança a gente se perde pra não mais voltar. E sei que no se perder, o que procuras vais encontrar.

Não negue o amor de infância. Não negue.

Aqui, nesta cadeira amiga,
de canto isolado,
o tempo demora a passar.
As horas bocejam
_________ [ao meu lado;
se cansam
de tanto esperar.

– Moço, quero uma flor? Como faço?

– Vá e pegue uma abelhinha emprestada na colméia, e peça para ela convencer o senhor flor namorar a senhora flor.

– Mas por que uma abelhinha?

– Elas são os cupidos dos jardins.

– Ah!

 

Eu era o choro,
hoje, eu sou o riso.
Sou o êxtase no tédio;
o incerto no exato.
Fui excesso na falta;
fui vaidade no pudor.
Hoje, o pecado “santificato”;
a liberdade sem rancor.
Era eu o encontro,
hoje a perdição.
Uma droga na abstinência,
fui mais que anfetamina implorada
de todo bom cristão.
Era a neblina na cegueira;
o exagero de amor.
Hoje, a claridade da boa vista;
o teu amado fingidor.
Mais que promessas,
fui bom estrategista.
Agora, o acaso rege meu universo;
praticamente me domina.
Faz-me ser o que o mundo pede;
pouco se desanima.
Do ouvido atento,
eu era o grito.
Hoje, o silêncio que ensurdece,
um deslise no atrito.
Fui andarilho solar – queimei-me a mão.
Chorei como cavaleiro lunar
em companhia da solidão.
Hoje, vago em sonhos noturnos.
Aos que dormem com olhos
abertos, sou o pesadelo
do perdão.
Da nau vivida, sou a vela que some
no fim da imensidão.

– Como se faz um sol?
– Simples.  Dê uma pitadinha de boa luz e mistura com farelos de estrelas. Pronto, você tem um sol só pra você.
– Ah! É fácil então, né?
– Sim sim, é fácil.

Não sou poeta dos mares,
tanto menos de sertões.
Não sofri de terríveis males;
não vi a seca secar corações.

Não sou trovador de donzelas,
não canto ao luar pra encantar.
Meu mundo surge em sequelas
de uma rua sem saída pra encaminhar.

Meus escritos não estão em pergaminhos,
nem guardados a sete chaves.
São só palavras de singelo carinho
escritos por frágeis claves.

Errante das ruas iluminadas,
de vielas estreitas e calmas,
busco as respostas esperadas
sem prezar por pobres almas.

Sou da ira urbana caótica;
orgulhoso pela origem discreta
que não escreve a vida como melódica
e nem entrega-se à uma vida secreta.

Ah! Eu sou poeta!

De dia
na rua sem saída
tem criança
tem criança
tem criança

Como é
a rua sem saida?
é calminha
é calminha
é calminha

Se está cheia
a rua sem saída
tem ciranda
tem ciranda
tem ciranda

E na noite
a rua sem saída
é sozinha
é sozinha
é sozinha

Escrevo sem esperar o fim de todo
___________________[desfecho.
O fim de todo final
Não cabe a mim terminar.
Tem tinta o suficiente pra reescrever toda
___________________[lusíadas, quem
sabe?
Seria de mim um eterno escritor
Sabendo que a vida acaba,
E o descanso finalmente compensa
Toda essa dor de acabar em
___________________[simplesmente
desfecho.

Na rua sem saída tem um garoto estranho. Não estranho de estranho, mas diferente. Ele usa óculos e diz coisas que os outros garotos não entendem. Ele é desses garotos que se trancam num quarto para consumir televisão. Vive da fotossíntese radioativa. É da geração do raio laser e do videogame de mão colorido.

Nem todos os garotos da rua sem saída têm condições de ter o que o garoto estranho tem, e é por isso que eles ficam perdidos. O garoto de óculos cita personagens e historias que ninguém viu. Enquanto uns tem bolinhas de gude na mão, pipa na linha, mamona no estilingue, o garoto de óculos desenha poderes que exalam de criaturas que vivem dentro de uma bolinha.

Não sei o que acontece com essa garotada de hoje, só sei que se fosse há alguns anos atrás, eles iam ver o que é pedir pra mãe soprar o joelho ralado quando se passava mertiolate.

Ah! Criançada, vocês precisam é de mertiolate que arde, isso sim.

Eu quebrei um vaso esta manhã. Era um vaso simples, sem muitos ornamentos. Ficava em cima da mureta que separa a copa da cozinha. Ficava ali, um vaso azul e preto, sem muita importância ou se quer criava alguma atenção que pudesse ser notada. Era um vaso que guardava e cuidava de uma rosa, nada mais.

Estava eu num daqueles momentos em que você segue para geladeira sem ter ideia do que vai pegar. Abre-a e fica olhando, procurando sabe-se lá o quê, e fecha. Fechei e me virei para voltar de onde eu havia vindo – lugar de que eu também já não me lembrava -, e foi aí que o vasou se quebrou. Nessa virada sem rumo, esbarrei no dito cujo que caiu no chão.

Vi pedaços, muitos pedaços ao chão. Pedaços que vieram após um estrondo enorme aos ouvidos de todas as criaturinhas pequenas que habitam uma copa e cozinha. Assustei-me, claro, mas a reação estranha foi depois.

Olhei estaticamente cada pedacinho de vaso no chão. Fui hipnotizado por uma incrível visão que me fez pensar no significado dos vasos. Vasos eram simplesmente vasos feitos para cumprirem a função de vaso?

Olhando os caquinhos criados a partir da explosão, vi a constelação mais linda que algum dia alguém já viu. Mais linda do que aquelas que existem nos livros ou as que podemos imaginar naqueles sonhos em que estamos voando. Conforme eu me mexia, a luz de sol que invadia pela fresta da janela era refletida em cada peça por vez fazendo brilhar e piscar, como se as estrelinhas quisessem dizer algo para mim. Como se quisessem ser estrelas de verdade, só esperando uma fada madrinha transformar todas elas em estrelas de verdade. Estrelas não mentem e isso poderia acontecer.

Fiquei minutos ali contemplando a constelação que eu havia criado a partir de um desastre. Havia eu destruído algo tão singelo e transformado aquilo em algo muito belo. Sentia-me um deus. Um deus das cozinhas e vasos, copas e rosas. Ah, a rosa! Esqueci-me da missão que aquele vaso tinha a cumprir: cuidar da rosa.

A rosa estava estirada ao chão bem longe da constelação, como se fosse um anjo rejeitado do paraíso. Ali, no cantinho da parede perto da porta, ela jogada; e flutuava em gravidade zero da cozinha. Não tinha rumo, ficava ali, parada, quase que chegando a lugar nenhum.  Como pode aquele ser, de tamanha beleza, ser rejeitada por pequenas estrelas de mentira?  Ela era de verdade.

Foi aí que pensei em resgatá-la, mas para isso deveria eu cruzar toda aquela constelação, pois havia estrela por todo espaço cozinhal; entre a mesa de vidro e o armário antigo. Ou eu atravessava por cima dos pontinhos brilhantes, ou juntava cada um deles e definiria o destino de uma galáxia inteira. Era um dilema.

Diante daquela bela tristeza, eu não tive muita reação. Fiquei estático, sem conseguir se quer pensar em algo. A mente branca, os pensamentos tão distantes como aquelas estrelas eram agora de um vaso. Havia um vaso, não existe mais. Havia uma rosa bem segura, não existe mais. Por minha culpa, alguém agora sofria. Por minha culpa, criei um universo triste e perfeito. Era tudo o que um deus poderia querer. Era tudo o que eu queria naquele momento.  Foi ai que escolhi o futuro. Deuses fazem isso. Prometem livre arbítrio, mas quando querem, tudo se cria ou acaba. Foi então que num esforço sobrenatural que só um deus pode criar, juntei cada pedaço com uma vassoura e coloquei a rosa num copo com água. Num saquinho de supermercado, lancei as estrelas ao fundo. O fim do universo havia chegado. Desprezei a mais bela arte que eu já havia criado. Era eu o apocalipse das estrelas da cozinha. E ali, no copo alagado, a rosa me fitava sem pudor nenhum. Era ela a dona da pia de mármore. Era a rainha da cozinha. Ao lado das plataformas dos escorredores e torneiras, ela era imponente. Foi aí que me senti bem. Uma rainha me olhava como se fosse amor à primeira vista. Como criança perdida numa paixão platônica. Com certeza me agradecia, idolatrava-me. Era eu um deus de constelações e ela uma rainha de cômodo de casa.

Por três dias a rosa esteve ali, comandando e encantado. Mas como toda boa rainha, chega a hora de passar o trono, pois murchara na manhã de quarta-feira. Dia de nada e coisa nenhuma. Não houve comoção alguma no local com o falecimento da senhora que havia sobrevivido a uma explosão de estrelas e ao fim de uma galáxia. Com a frieza de um descarte, alguém de casa a recolheu e jogou fora; jogou fora a rainha da cozinha.

No outro dia havia um novo vaso ali no local. Não era tão mais bonito ou chamativo que o antigo, mas dentro dele também havia uma rosa. Cheguei perto e abracei uma pétala. Foi aí que percebi o significado de tudo que havia acontecido naquela cozinha. O tamanho da simplicidade que uma rosa e um vaso podem criar. Ao tentar me envolver nas pétalas da rosa, me frustrei e não consegui verter lágrimas. Sorri de tristeza, pois era uma rosa sem vida; era uma rosa de plástico.

 

 

Composição: Rafael Meck e Filipe Seolin

Vamos brindar à solidão como maior virtude,
e que ninguém nos tire o prazer de sermos sozinhos.
Se for para ser sozinho, que seja com você.
Sejamos nós então a solidão completa, e mais ninguém.
Vamos beijar a testa dos menores;
estender as mãos para os que estão no chão,
e se possível, deitaremos ao seu lado;
dormiremos então como criança cansada de brincar.
Faremos sonhos para que todos sonhem também;
e que ninguém acorde antes do sonho acabar.
Vamos esquecer o passado
e fazer do agora nossa melhor forma de sorrir.
Presentearemos com o presente todos os que sentem o passado como dor.
E que todo passado seja simplesmente passado,
e todo presente seja exatamente a forma mais simples de sorrir.
Vamos construir nosso lar dentro de toda chuva que cai.
Pegaremos essas nuvens carregadas e faremos delas o nosso abrigo.
Dividiremos cada gota de chuva com os que querem se molhar também;
com aqueles que não tem medo de abrir os olhos em dias escuros.
E que nosso lar seja escuro toda hora e só se ilumine com risos e melodias;
melodias de dia de chuva,
pois somente desejo o sol para os que não sabem brilhar sozinhos.
Vamos cantar o dia todo;
gritar e gritar sem parar!
E que nada possa nos preocupar.
Nem vizinhos;
nenhum deus.
A vida é nossa.
A música quem canta somos nós.
E que ninguém nos separe quando nos abraçar-mos,
pois que me tirem o coração e o meu sonhar,
mas não meus braços para te abraçar.
Que venha o fim dos mundos!
Que venha o profeta lá do ar.
Somente quero nós dois juntos e,
por favor,
dê-me a sua voz para ouvir,
sua boca para beijar e seus olhos para olhar.
Chore! Pode chorar!
Sou eu que estou aqui.
Sou eu quem exugará teu rosto,
pois sei que é você quem irá enxugar o meu quando eu
também chorar.
Vamos voar do meu mundo ao teu, do teu ao meu.
E que essa seja nossa viagem eterna.
Estaremos mais alto que tudo e todos!
E nenhuma visão irá nos alcançar,
nenhuma mão nos pegarará.
Nada de promessas ou perdões.
Somos livres para estarmos onde quisermos.
Seja neste céu aberto ou nesta terra deserta.
Você vê alguém? Eu também não.
Que continue assim,
pois nada poderá arrancar nossas asas agora.
Vamos largar tudo para trás.
Qualquer lágrima feita ao acaso,
que fique para trás;
nos deixem em paz.
Ah! É você quem eu quero;
toda noite vou te desejar.
Pedirei à estrela mais distante que a noite nunca se acabe.
Que a lua sempre venha a ficar,
e nos dê só um pouquinho de luz para eu te ver respirar.
Então que seja tua respiração o meu conforto;
teu silêncio minha perdição.
Você, minha queda sem fim!
Pois farei de ti meu maior pecado.
E sim, quero ser o maior pecador que este mundo já viu.
Nenhuma regra nos prenderá.
Nenhuma vinda nos fará voltar.
E que ninguém perca tempo em nos visitar,
pois a porta estará trancada.
E não haverá ninguém em casa.
O mundo nos espera.
O mundo é para poucos,
e desse pouco só quero você.
Vamos dançar a música que a vida nos toca.
Girar entre árvores e calçadas como flores ao vento.
Flores com o perfume mais gostoso que a alma pode nos dar.
E que nossas almas sejam libertas de nossos corpos ao
dançar-mos.
Que todo perfume da alma se espalhe no ar,
pois nada irá se prender a nós.
Nada irá nos impedir de dançar.
E quando a música acabar,
que venha mais música,
pois jamais me cansarei de ser teu par.
Então vamos fazer de tudo o mais simples possível.
Pois que seja o simples o começo do perfeito,
e toda perfeição é o que desejo pra nós.
Te amo mais que o próprio amor.
Te quero mais que o próprio querer.
Então que seja mais que amor!
Que seja muito mais que querer!
Pois nada será o suficiente;
nada do que eu disser cansará meu peito.
Tudo me levará a você.
Pois que todos ouçam e perguntem o porquê.
E nada, mas nada à eles irei dizer!
Pois só você me entende;
então, que me faça morrer.
Pois irei contra qualquer lei,
e nascerei denovo só para te encontrar;
te encontrar e dizer: – Te amo!
E sim, tudo isso é pra você!

Se a terra treme, é porque tem frio;

frio da gente.