Pensei em escrever a mais bela poesia para inaugurar esse espaço, mas não consegui.
Como é engraçado um ralo poeta não conseguir escrever algo que seja para começar algo que é. Talvez eu não seja poeta. Não sei cantar aos mares e aos sertões. Não tive vida sofrida ou milhões de amores para serem lembrados. Não vaguei na boemia em noites a fio ou escrevi canções grandiosas. Sonetos? Ah, alguns poucos e olhe lá.
Um poeta disse uma vez que devemos estudar muito a poesia para um dia podermos ser poeta. Concordo discordando. E a poesia? Não estuda a gente? Como posso eu me entregar para algo que não me conhece?
Sou poeta da rua sem saída. Da calçada com algumas crianças e simplicidade sobrando. Perdido, claro, nesse mundo de gente igual. Não sou errante, nem homem do povo. Não faço das grandes falcatruas do estado o tema de meus pensamentos. Sou um poeta do agora, e não de toda hora.
É por essas tantas e outras que meus poemas fogem, escorregam entre os dedos. Juro que às vezes corro atrás. Algumas vezes eu os pego, outras não.
Pois poesia é danada, vem e vai quando quer. Por isso dizem que poeta é sempre louco.
Quem não enloqueceria ao ficar correndo a vida inteira atrás de poesia?

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