Não sou poeta dos mares,
tanto menos de sertões.
Não sofri de terríveis males;
não vi a seca secar corações.

Não sou trovador de donzelas,
não canto ao luar pra encantar.
Meu mundo surge em sequelas
de uma rua sem saída pra encaminhar.

Meus escritos não estão em pergaminhos,
nem guardados a sete chaves.
São só palavras de singelo carinho
escritos por frágeis claves.

Errante das ruas iluminadas,
de vielas estreitas e calmas,
busco as respostas esperadas
sem prezar por pobres almas.

Sou da ira urbana caótica;
orgulhoso pela origem discreta
que não escreve a vida como melódica
e nem entrega-se à uma vida secreta.

Ah! Eu sou poeta!

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