Um sonho cansa,
uma vida muda.
O cigarro queima
no tempo dos segundos
de um relógio perverso.
Pessoas vem,
amores se vão.
Pedidos esquecidos,
gritos em vão.
Paisagens secas
num monótono outono de verão.
O que fazemos não muda,
não insinua o diferente
para estar agora
tão presente quanto a vontade
de mudar.
Um beijo chora,
uma criança pede – egoísmo a parte –
estamos enojados dessa valsa
de viver.
É vergonhoso a capacidade
de não ser capaz;
de não mudar um sonho que cansa,
ou até mesmo,
uma vida que muda
sem a gente perceber.

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