Na rua sem saída tinha um senhorzinho. Senhorzinho legal para uns até, estorvante para outros.
É que o senhorzinho lavava a calçada todo dia. Até em baixo de chuva o senhorzinho lavava a calçada. Fosse dia ou madrugada, o senhorzinho lavava a calçada. Folhas mortas, barro aos montes, vento chato, todos eram os inimigos do senhorzinho.
Hoje, a rua sem saída acordou um pouco vazia, pois perdeu o senhorzinho. Sua calçada por algumas horas ficou suja, esquecida… mas só por algumas horas; agora não está mais. É que a mulher do senhorzinho está lavando para ele agora; lavando com um sorriso no rosto, porque o senhorzinho deixou uma pensão gorda para ela no fim de todo mês. Ela até varre a calçada.
Quem pensou que a calçada ia ser abandonada, que ia ser suja, enganou-se. O senhorzinho deixou uma pensão gorda, bem gorda.
Ah! Esse senhorzinho! Pensou em tudo enquanto lavava a calçada.

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