Não que eu…

“Não que eu tenha me esquecido de amar,
mas foi por exagerado amor que o amor se foi.
Foi pelas atitudes que a calmaria me bateu
e me fez refletir que nem tudo vale a pena.
Que nem tudo tem destino e o destino não nos acorrenta.
O acaso rege o mundo e não há força nenhuma capaz de mudar.

Não que eu tenha deixado a simplicidade de lado,
mas às vezes a gente esquece o valor
de toda simplicidade e acaba valorizando o inútil.
Esquece quão aconchegante é um abraço, e se esquece de abraçar.
Quão perfeito é um sorriso, e se esquece de sorrir.
Mas lembro-me bem das lágrimas,
e talvez tenha sido elas o motivo de tal esquecimento.

Não que eu tenha voado menos!
É que minhas asas às vezes se cansam,
e meus braços não conseguem carregar.
O peso é muito e me prende ao chão.
Sim! Eu queria estar lá no alto,
mas não gostaria de levar ninguém; só encontrar.

Não que eu tenha me esquecido das promessas,
eu simplesmente as deixei.
Deixei com que se fossem e não mais prometi.
Prometer me faz cansar; choro quando não posso cumprir.
Acaba com meu sonhar.

Não que eu tenha abandonado as orações.
As exigências eram grandes e as explicações não convenciam.
Destruía aos poucos minha essência;
mentiras não me enganam mais.
E não dá para esperar algo dos céus
quando não se consegue voar para buscar.

Não que eu tenha deixado tudo pra trás,
eu somente não tinha forças para abraçar o mundo.
O amor próprio me consumiu e me fez andar;
andar e ver o peso do silêncio como loucura.
Pobre de mim se fosse lúcido nesse mundo de loucos.

E… não que eu tenha me esquecido o gosto da companhia,
eu simplesmente descobri o doce sabor da solidão.”

Rafael Meck

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