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Preciso tanto,
como um sorriso precisa de cor,
de algumas novas paixões.
Essas minhas,
tão antigas e desbotadas
já não me agradam mais.
Quero a nova música
da linda voz cantada.
A pureza de quem não se perde
na falta de pureza.
A verdadeira dança
de quem sabe dançar.
Preciso tanto
do jogo limpo
que agrada o jogador.
Duma vida sem gente
que consome gente
sem o menor amor.
Da boemia singela
que me traz os mais
[belos acordes.
Ah! Quem me faz paixões?
Diga-me, quanto custa,
Seo Vendedor?
O meu lar é tão perto;
não te custa me agradar.
Já me basta tanta, tanta dor.
Então assim,
envia-me numa caixinha de papel
essas paixões que não se encontram
[por aí.
Prometo, com toda sinceridade,
fazer o melhor proveito de todas elas.
E guardo-as – aqui no meu cantinho -,
para ninguém achá-las.

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A minha lincença é diferente, a minha licença é poética.

É daqueles que poucos sabem ter!

Então, caro amigo, dê-me licença, pois vou escrever.

É uma casa grande, sabe? Essa que eu sempre sonho — disse ele forçando a memória. — Não sei exatamente onde fica. Talvez num litoral qualquer de alguma viagem passada, ou talvez no interior. Eu só sei que sempre entro, vejo uma sala grande e uma escada a esquerda. Onde vai dar a escada? Também não sei. É um sonho, não te esqueças. Raramente me lembro de tudo. Só que dessa vez o que se passou foi mais forte. Eu a vi. É! Ela! Eu entrei não sei vindo de onde e me deparei com ela enxugando os cabelos com uma toalha branca. Viu-me e desviou o olhar. Entrou numa porta que fica no corredor do qual ela vinha. Continuei andando com o estômago nas mãos e um frio que cortava a alma. Passei em frente ao quarto em dois passos; ela estava sentada na cama. Havia algumas roupas no chão e uma televisão ligada. Não. Eu não parei. Por que? Porque o sangue do meu corpo inteiro parecia que ia derreter. Como eu vi tudo isso dentro do quarto? Amigo, não sei. Não questione a mim sobre meus sonhos. Questione Freud, talvez. Enfim, dirigi-me até a cozinha no fim daquele corredor e derrepente dois cães começaram a morder minha perna, mas não para machucar, sabe? Dois cães pequenos. Acho que queriam brincar. Eu não sei porque eu chamei um deles de Mila. Sim. Eu disse: — Para, Mila. Passa! Eu juro que tenho na mente a cara de tristeza dum deles. Acredito que fosse a Mila. Então eles se foram choramingando e eu abri uma geladeira que tinha logo a frente. Peguei, acho, um copo d’água, bebi e acordei derrepente com uma vontade enorme de ir ao banheiro. Oi? Ah, sim! Foi só isso. O quê? O que tem de mais? Amigo, você se esqueceu que eu lhe disse que a vi?

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