Difícil ainda é entender, mesmo depois de tantos e tantos anos, depois de séculos de sofrimento, morte e pensamentos medievais,
pessoas ainda se pendem e contemplam a imagem de um homem crucificado, sangrando e de esperança, diga-se de passagem, vã. Contemplam aquilo da qual não fizeram parte, e sentem-se aliviadas, pois tal sofrimento é devido à um débito de pecados que ninguém cometeu.
E o mais triste, é que ainda sinto pena daquele homem, pois mesmo com o rosto de maior expressão possível de dor, as pessoas aindam dizem o quanto aquilo foi lindo. Lindo? Por favor… Sinônimo de vida não é a dor pendurada numa cruz; não é o passado desenhado nas folhas “sagradas” ou esculturas feitas a mão suja.
Está mais que na hora de aprenderem a dignificar a si mesmo. Contemplem tuas famílias,
tuas conquistas pessoais, teus amigos e tua saúde. Veja o mundo com a beleza que ele oferece sem a dor alheia estampada em todo canto.
Tenho a certeza, de que aquele homem, se hoje tivesse a consciência ainda viva, se sentiria envergonhado, ou até mesmo arrependido, por tanta gente ainda chorar pela sua dor. Tenho certeza, que nem se quer pensou ele ou pediu isso. E o pior é que dizem uns, que ele trouxe a palavra de paz. Ótimo, acredito que sim. Mas só me diga, que paz é essa? Essa que vocês sentem toda noite antes de dormir após um dia de desrespeito consigo mesmo e com todos a sua volta? De rebaixamento e negação do orgulho próprio como ser humano? A paz em ver tua família chorando pelo seus erros? A paz em pensar que é a morte do pobre homem que trará a salvação para suas vidas, enquanto teu prato tem comida e do teu “irmao” não? Ou aquela paz de poder orar e agradecer sem ao menos pensar em como pagar? Que paz medíocre é essa? Se gabam de seus ensinamentos religiosos, quando ao menos tentam pô-los em prática e se satisfazem só em dizer o nome de deus, esperando que no fim, o paraíso estará lá, de braços abertos esperando gente como vocês.
Não venho, de longe, tentar se quer mudar a fé de ninguém, mas me perdoem, eu sinto pena daquele homem, não por ter sofrido ou sangrado, mas por vocês. Pois se a história for essa mesmo, de que ele morreu por cada um de vocês, me perdoem, você nunca vão pagar essa dívida.

 

Londres, 03 de abril de 2012.

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