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Deste fim de mundo tão grande,
pensou eu só na rua sem saída.
Ah, quanta saudade arde na alma!
Aqui, mesmo assim com tanta beleza,
não me agrada mais que meu pobre jardim.
Eu volto! Volto sim.
Mas fujo denovo,
pois só assim a rua sem saída lembra de mim.

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Na rua sem saída tinha um senhorzinho. Senhorzinho legal para uns até, estorvante para outros.
É que o senhorzinho lavava a calçada todo dia. Até em baixo de chuva o senhorzinho lavava a calçada. Fosse dia ou madrugada, o senhorzinho lavava a calçada. Folhas mortas, barro aos montes, vento chato, todos eram os inimigos do senhorzinho.
Hoje, a rua sem saída acordou um pouco vazia, pois perdeu o senhorzinho. Sua calçada por algumas horas ficou suja, esquecida… mas só por algumas horas; agora não está mais. É que a mulher do senhorzinho está lavando para ele agora; lavando com um sorriso no rosto, porque o senhorzinho deixou uma pensão gorda para ela no fim de todo mês. Ela até varre a calçada.
Quem pensou que a calçada ia ser abandonada, que ia ser suja, enganou-se. O senhorzinho deixou uma pensão gorda, bem gorda.
Ah! Esse senhorzinho! Pensou em tudo enquanto lavava a calçada.

E na rua sem saída, a chuva caiu. Só nela

e nela

e nela

e só nela.

Estava muito suja a rua sem saída.

Parece que todos aqui foram viajar.

De dia
na rua sem saída
tem criança
tem criança
tem criança

Como é
a rua sem saida?
é calminha
é calminha
é calminha

Se está cheia
a rua sem saída
tem ciranda
tem ciranda
tem ciranda

E na noite
a rua sem saída
é sozinha
é sozinha
é sozinha

Na rua sem saída tem um garoto estranho. Não estranho de estranho, mas diferente. Ele usa óculos e diz coisas que os outros garotos não entendem. Ele é desses garotos que se trancam num quarto para consumir televisão. Vive da fotossíntese radioativa. É da geração do raio laser e do videogame de mão colorido.

Nem todos os garotos da rua sem saída têm condições de ter o que o garoto estranho tem, e é por isso que eles ficam perdidos. O garoto de óculos cita personagens e historias que ninguém viu. Enquanto uns tem bolinhas de gude na mão, pipa na linha, mamona no estilingue, o garoto de óculos desenha poderes que exalam de criaturas que vivem dentro de uma bolinha.

Não sei o que acontece com essa garotada de hoje, só sei que se fosse há alguns anos atrás, eles iam ver o que é pedir pra mãe soprar o joelho ralado quando se passava mertiolate.

Ah! Criançada, vocês precisam é de mertiolate que arde, isso sim.