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Quão valioso são aqueles cinco minutos de tristeza que fazem a vida mudar.
Tudo pode ser ou não ser nesse pequeno meio-tempo.
A gente joga ao vento tudo que nos pesa, prende e encurrala com uma simples erguida de mão. A gente sente a pele queimar com um pouco de sol fraco depois de tanto tempo escondido, fechado… E a gente descobre o quanto isso é bom, leve… simples.
Se eu soubesse que tudo fica bem, tão pouco me preocuparia com aquele passado que se fez um presente tão dolorido há cinco minutos atrás.
Quem precisa mais que cinco minutos pra sorrir, chorar, cantar, dançar ou até mesmo lembrar de viver?
Limpar a alma com um lapso de tempo é a melhor forma de se livrar de toda sujeira do passado; de minutos atrás.
E que à partir de agora, esse tempo que assim vem depois desses cinco minutos, se torne eterno.

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Convenhamos nós,
que saudade e boa memória
não combinam.

Que não me falte nunca
algumas noites tristes
e boa música de violão.
Alguns amores perdidos
– às vezes sim…
Daqueles de uma noite só!
Por que não?
Que nunca eu fique assim,
total sem problemas; entediado!
Que graça teria,
mesmo que numa bebida,
sentar num buteco
– com bons amigos,
e não reclamar da vida!?

Eu joguei na mesa
– como jogo de baralho aberto,
Todo esse meu silêncio.
Já não penso que qualquer movimento, esquiva, seja o suficiente.
Estou cansado… Exausto até.
E pela primeira vez eu não quero ter que agir após vasto pensamento.
Eu só pus meu barco de papel na beira na calçada esperando a chuva chegar.

Venta-te, calmaria!
É por ti a que tanto espero.
Como agora eu não te roubaria
Se ainda há um pouco de desespero?

‎”Quem muito amor dá, acaba ficando sem.”

‎”Já não tenho o peso da posse
nem tão menos a preocupação de cuidar.
Eu me pertenço, me liberto e me renovo a cada dia,
que de longe eu quero ser dono de algo.”

Difícil ainda é entender, mesmo depois de tantos e tantos anos, depois de séculos de sofrimento, morte e pensamentos medievais,
pessoas ainda se pendem e contemplam a imagem de um homem crucificado, sangrando e de esperança, diga-se de passagem, vã. Contemplam aquilo da qual não fizeram parte, e sentem-se aliviadas, pois tal sofrimento é devido à um débito de pecados que ninguém cometeu.
E o mais triste, é que ainda sinto pena daquele homem, pois mesmo com o rosto de maior expressão possível de dor, as pessoas aindam dizem o quanto aquilo foi lindo. Lindo? Por favor… Sinônimo de vida não é a dor pendurada numa cruz; não é o passado desenhado nas folhas “sagradas” ou esculturas feitas a mão suja.
Está mais que na hora de aprenderem a dignificar a si mesmo. Contemplem tuas famílias,
tuas conquistas pessoais, teus amigos e tua saúde. Veja o mundo com a beleza que ele oferece sem a dor alheia estampada em todo canto.
Tenho a certeza, de que aquele homem, se hoje tivesse a consciência ainda viva, se sentiria envergonhado, ou até mesmo arrependido, por tanta gente ainda chorar pela sua dor. Tenho certeza, que nem se quer pensou ele ou pediu isso. E o pior é que dizem uns, que ele trouxe a palavra de paz. Ótimo, acredito que sim. Mas só me diga, que paz é essa? Essa que vocês sentem toda noite antes de dormir após um dia de desrespeito consigo mesmo e com todos a sua volta? De rebaixamento e negação do orgulho próprio como ser humano? A paz em ver tua família chorando pelo seus erros? A paz em pensar que é a morte do pobre homem que trará a salvação para suas vidas, enquanto teu prato tem comida e do teu “irmao” não? Ou aquela paz de poder orar e agradecer sem ao menos pensar em como pagar? Que paz medíocre é essa? Se gabam de seus ensinamentos religiosos, quando ao menos tentam pô-los em prática e se satisfazem só em dizer o nome de deus, esperando que no fim, o paraíso estará lá, de braços abertos esperando gente como vocês.
Não venho, de longe, tentar se quer mudar a fé de ninguém, mas me perdoem, eu sinto pena daquele homem, não por ter sofrido ou sangrado, mas por vocês. Pois se a história for essa mesmo, de que ele morreu por cada um de vocês, me perdoem, você nunca vão pagar essa dívida.

 

Londres, 03 de abril de 2012.

Quem diz que ama, se engana.

 

Você vê? Meus pés estão sorrindo. Estão orgulhosos por terem conseguido chegar aonde agora estão. Nāo foi preciso fé, deuses, e nem anjos alados para os carregarem. Foi só preciso força e coragem e um passo.
Você vê? Eles estão felizes!
E eu estou com eles…

Grato! Grato a ti, corpo!
Grato a ti, mente.
Tanto sei o quanto vale
cada sentimento.
Posso eu chorar,
machucar, sorrir
ou a saudade apertar.
Aproveito cada qual
assim como devido milagre.
Como demasiado humano,
sou a pureza da natureza.
Sou a embriaguez do coração
e quase sempre a liberdade estampada.
Se abraço a solidão,
é porque me tenho!
Tenho a mim,
meu corpo e minha mente.

Pensa se toda mulher tivesse um poeta só para si. Que triste seria, tanta poesia pedida. Pois de longe, tantos rostos bonitos não fazem valer se quer uma canção. É nesse pensar – no merecer de uma poesia – que concluo que muitas vezes, não é o poeta que deve conquistar a mulher, e sim a mulher o poeta.

Minha promessa não é felicidade, é realidade.

Como me dói este coração que não é meu.

Eu sou assim,
de espírito livre.
Eu tenho a benção
e a permissão da vida.

Eu pouco me importaria
se agora o mundo acabasse.
Eu pouco teria,
se parar pra pensar,
pouco a me arrepender.
E o melhor, é?
Que se paro para pensar,
um segundo se quer,
eu me acabaria em risos.
Em fundos risos
para dizer:
– E você?,
Quanto tem a se arrepender?

Hei de ser longe… hei de ser novo a cada instante.
Eu me suporto como uma mão que ergue uma pena,
e se esforça em não perdê-la quando o vento vem.
É tão leve e desequilibrado viver,
que eu me perco em todas minhas vontades
e as torno em vontade de coisa alguma.
É que sou assim… livre.

Aparência demais anula a boa alma.

Eu já não tenho tanta maldade,
como assim já perdi quase toda bondade.
Tão alheio e desprendido,
que às vezes me esqueço até de mim.

Me alivia o coração em ver, nesses dias de hoje, populares e baratos, tanta gente consumindo imagem alheia, e eu conseguir me fazer de fora.

Eu quero a paz escorrendo entre os dedos; quero a boca molhada de perdão.
Vou buscar, mesmo que me cansem as pernas e a alma, toda calmaria que me tiram.
E quando eu for longe o suficiente, eu não vou voltar.

O que mais se vê, é gente agradecendo, agradecendo, sem pagar. Fácil é se sentir satisfeito, seja lá com o que for, vindo ou não dos “céus”, e ficar de mãos atadas enquanto há tanto de errado. Agradeça, mas faça! Faça! Só declarar méritos não eleva ninguém.

“Sou hoje, o passado mais feliz de tudo aquilo que agora já não é mais meu.”

Hoje, mesmo sendo e não sendo tarde, já é o dia em que começo a buscar só o que me faz bem. E percebi que para encontrar tudo o que me agrada, é preciso me desprender de muitas coisas; aquelas que me fazem mal, desagradam. Coisas como: lugares, manias, atitudes, conceitos e até pessoas. Eu sei, não que seja fácil se desvencilhar de tudo isso. Não que pessoas sejam descartáveis ou atitudes somem num piscar de olhos, mas é preciso tentar. Quero hoje o mínimo de preocupação ou desgosto. Não quero mais a decepção por esperar aquilo que não vem de mim. Não quero ter e perder. O que não é meu, me agrada em ser assim, e por isso levo comigo a conformidade de que muitas dessas coisas também já se desprenderam de mim. Há pessoas das quais eu não faço falta ou parte de sua vida. Tudo bem, estou aqui para isso. Essa é a graça da situação. O jogo funciona assim. E aos poucos eu sei que vou vivendo, construindo, destruindo, rasgando, sentindo e aprendendo. Pois o caminho é longo de mais para uma vida muito curta. E ninguém caminha ou se quer chega muito longe com as costas carregadas de tudo o que não faz bem.

E eu sei.
Eu chego lá…

 

 

 

Rafael Meck
Londres, 8 de novembro de 2011

“O que é simples, bem simples, faz o que é perfeito para mim.”