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Vem, serenata!
Vem, música calma!
Sou todo descaso e bem esperto para uma criança.
Sou errante nas ruas,
Perdido no tempo.
Canta-te solidão!
Arranhe os braços de quem tanto te quer.
Já não tenho vergonha, susto ou frio.
Os copos cheio de noites me chamam.
As bocas vazias de palavras me beijam!

Quê quero mais eu?
Sou o espaço entre o tempo e o espaço… A valsa dos dedos trêmulos!
Sou a raiz da árvore seca enjoada de tanta água.
Ah! Quanta maldade se cria dentro de um sorriso, que mesmo sorrindo, eu deliro.
Só me dê tempo então.
Me dê tempo para esquecer como se esquece.
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É que eu não sou capaz de me arrepender.
… pois é!
Ainda não tive dor suficiente.
Ainda não.

Eu, de tantos amores rasgados,
já não me entrego àquele pouco
que de vez em quando,
a vida me traz.
É que eu não sou forte,
nem tão menos pequeno.

Eu só faço os dias com meio sorriso.
Você vê?
É que eu não sou capaz de crescer.
… simples, não?

Me lembro que um dia eu soube que toda criança não tem coração.

Passa! Passa sem deixar rastros.
É assim que marcas,
nas deixas de teus passos,
o teu sorriso tão simplório!
Quem sorri de volta,
se envergonha em não ser notado.
Neste andar
só sobra espaço de um sorriso só.

 

Há quem diga que sou frieza.
Que me conhecem por inteiro
e na metade do que aparento ser.
Há quem corra a meu encontro.
Às vezes se cansa,
tão menos alcança
o que quero esquecer.
Então me escondo,
finjo não conhecer
quem tanto diz me entender.
Pois sou o engano;
a pouca vontade de crer
nas promessas
de quem um dia
– de mãos fechadas
me fez.

 

Ela voa, voa como ela só!
Êta criança louca,
que assim vai muito leve
e voa sem parar.
Ela voa, voa sem ter dó.
Arrasta aquele salto alto
na areia fina;
pinta a noite de vermelho.
Esfarela corações enquanto
bebe seu gole de perdão.
Ela voa, voa ainda que chora.
Quem não chora?
Ela é criança e não tem coração!
Quem tem coração?

Em quantos destinos já
[antes não andei?
De versos em versos cantados
e vielas passadas,
risquei meu nome em
[cantos quaisquer.
Já novo,
ou inapto ainda,
quase alcancei estrelas apagadas.
Num alcance distante para
braços curtos;
pequenas mãos,
pulei ao encontro deste
ou aquele amor.
Vulgarizaram!
Empoeiraram tais amores
dentro de arcas de liberdade.
E as chaves destes simples perfeitos,
vi serem jogadas ao chão
por pessoas iguais.

So, let’s talk to the moon, girl!
Let’s dancing around mars.
Go and touch the sun
and fly with the stars.
Forget about the life
or about your dream.
I’ll be your knight
and you’ll be my queen.
The sky is yours,
not of god!
Catch these fuck’n clouds!
Can you see? I’m nodding!
We are the reason,
we are the only ones!
Time is just a season
and the ending comes.

I thought that I was the reason
and much more than all this.
I was right,
‘cause now, it’s just a season
of a long way
and one cold kiss.

Se pensas em mim,
somente pensa e nada digas.
Não coloque meu nome em meio ao todo.
O todo não me agrada;
não me agrada o igual.
Não me agrada essas vozes graves
[sem harmonia.
Que não cantam na hora de cantar.
Que de belo nada dizem.
Que em atraso se calam com cessar.
Mas se não pensas em mim,
então tudo ficará como está.
Você lá,
eu cá da margem deste rio
que jamais muda seu rumo.
O rio é bravo.
O rio corre; tem orgulho.
E desse igual,
podem até gritar em chamar…
Mas sempre será você lá, eu cá!
Pois não haverá nenhuma voz
capaz de me fazer atravessar.

Vem saudade…
é a saudade que lá de longe vem!
Vem espreita, calada
e coberta de razão.
Me encurrala toda fria
no canto da parede
sem pedir licença
e já me abrindo a mão.
Me puxa com leveza
pra levar-me assim,
voando, flutuando, sorrindo
pra perto de ti.
Não digo um não
e nem se quer
[peço explicação.
Só me calo diante da clareza,
que com toda certeza,
vou ficar no chão.

Dê-me a tua mão,
Bela vida minha.
Pois é o coração
Que assim caminha
Bem leve; rendido
E assim calejado.
Já tão agredido
Que chora calado.

Eu tenho nas mãos
tantas migalhas de vida.
Daquelas tristes vidas
que se desfazem pelos amores.
E por apreço, tanto apreço,
não ei de limpá-las.

Eu gosto muito,
muito de ti.
Já te disse antes
tentando te fazer sorrir.
Mas você negou
sem ao menos perceber.
Que dói meu coração
gostar tanto de você.

Ei, você, garota!
Não estraga esta tua beleza
nestas fotos compradas.
És tão linda por si só,
que não deves borrar este teu sorriso
neste batom barato.
Não deixem que te perguntem
quanto vale tua pose;
este teu corpo.
Usa teus passos pra dançar.
Feche só teus olhos pra sonhar.
Não te enganes com estes elogios interessados.
Ei, você!
Sim, você, garota!
Solta este cabelo!
Jogue estes sapatos.
Estas roupas te odeiam;
te ofuscam.
Seja leve nestas ruas estreitas
ao ponto de enganar quem tanto te olha.
Não precisas, num só dia,
de tanta atenção de segunda.
Aqui já temos demais quem se vende
[por tão pouco.
Engana este mundo com um pouco
de simplicidade,
e verás que o mundo é teu erro.

Eu pulo de verso em verso
e não encontro nada.
Vida! Pouco mal lhe peço:
– Traz de volta minha amada!

Mesmo assim,
perdido em meio a distância,
guardo esta minha saudade de ti
que é pra não te esquecer.
Não que eu não tente às vezes,
ou não force um adeus todo dia.
É que mesmo assim,
perdido em meio a solidão,
teu sorriso ainda se faz em mim.

Você sabe, mãe.
Este meu amor é discreto.
Nunca precisei gritar aos ares,
ou se quer ensurdever ouvidos
com o que vem de mim e pertence a ti.
É que mesmo falho,
quieto e guardado,
este meu amor é teu;
só teu.
Você sabe, mãe.
Minha vida cabe a você;
meus passos são teus.
Este meu pensamento longe,
só busca o teu.
Meu coração se aperta a cada
segundo longe da tua fala,
do teu estar ao meu lado
sem precisar se esforçar em ser mãe.
Pois você é! A melhor que há!
És a mãe deste garoto perdido
que hoje busca o orgulho que lhe falta entregar.
Se estou longe,
é pra me encontrar.
E quando isto acontecer,
eu volto! Volto sim, mãe!
Meu lar é você!
Eu volto, pois de ti,
sou filho único.
Todos sabem,
que tenho minha casa pra olhar
e você pra cuidar.
Por toda minha vida.

Rafael Meck
Londres, 2 de novembro de 2011

Preciso tanto,
como um sorriso precisa de cor,
de algumas novas paixões.
Essas minhas,
tão antigas e desbotadas
já não me agradam mais.
Quero a nova música
da linda voz cantada.
A pureza de quem não se perde
na falta de pureza.
A verdadeira dança
de quem sabe dançar.
Preciso tanto
do jogo limpo
que agrada o jogador.
Duma vida sem gente
que consome gente
sem o menor amor.
Da boemia singela
que me traz os mais
[belos acordes.
Ah! Quem me faz paixões?
Diga-me, quanto custa,
Seo Vendedor?
O meu lar é tão perto;
não te custa me agradar.
Já me basta tanta, tanta dor.
Então assim,
envia-me numa caixinha de papel
essas paixões que não se encontram
[por aí.
Prometo, com toda sinceridade,
fazer o melhor proveito de todas elas.
E guardo-as – aqui no meu cantinho -,
para ninguém achá-las.

I just feel better

When you leave me away.

Throw to wind my letter

For you never hear what I say.

Descansa este corpo cansado, senhora.
Deita esta alma doída.
Teu corpo é esperado
no fim dessa valsa vivida.
Foste tu a poesia mais bela
que este vento egoísta já soprou.
És mãe da mãe deste filho
[que agora chora a tua despedida.
Ah, Dona Hilda…
O teu abraço marcaste meu corpo
logo na minha única e primeira vinda.
Agora, vá tu como quem já fizeste o suficiente.
Vá para não mais aqui estar.
Pois é lá do longe que agora sinto
[este teu sorriso:
o mais puro e singelo sorriso
que este olhar vermelho já pode tocar.
Sê agora o que sempre foste
e tanto me encantou:
A minha única, amada e querida…
Dona Hilda.

Hoje este peito se aperta e sofre
por perder a primeira pessoa
mais querida da vida.
Ah, se meus olhos pudessem dizer o quanto
sinto por não poder se quer ver pela última vez
este semblante tão acolhedor.
Sinto agora e pra sempre sentirei a tua falta.
Descansa em paz…

De teu neto, Rafael Meck
29 de junho de 2011 –  22:23

Não que eu…

“Não que eu tenha me esquecido de amar,
mas foi por exagerado amor que o amor se foi.
Foi pelas atitudes que a calmaria me bateu
e me fez refletir que nem tudo vale a pena.
Que nem tudo tem destino e o destino não nos acorrenta.
O acaso rege o mundo e não há força nenhuma capaz de mudar.

Não que eu tenha deixado a simplicidade de lado,
mas às vezes a gente esquece o valor
de toda simplicidade e acaba valorizando o inútil.
Esquece quão aconchegante é um abraço, e se esquece de abraçar.
Quão perfeito é um sorriso, e se esquece de sorrir.
Mas lembro-me bem das lágrimas,
e talvez tenha sido elas o motivo de tal esquecimento.

Não que eu tenha voado menos!
É que minhas asas às vezes se cansam,
e meus braços não conseguem carregar.
O peso é muito e me prende ao chão.
Sim! Eu queria estar lá no alto,
mas não gostaria de levar ninguém; só encontrar.

Não que eu tenha me esquecido das promessas,
eu simplesmente as deixei.
Deixei com que se fossem e não mais prometi.
Prometer me faz cansar; choro quando não posso cumprir.
Acaba com meu sonhar.

Não que eu tenha abandonado as orações.
As exigências eram grandes e as explicações não convenciam.
Destruía aos poucos minha essência;
mentiras não me enganam mais.
E não dá para esperar algo dos céus
quando não se consegue voar para buscar.

Não que eu tenha deixado tudo pra trás,
eu somente não tinha forças para abraçar o mundo.
O amor próprio me consumiu e me fez andar;
andar e ver o peso do silêncio como loucura.
Pobre de mim se fosse lúcido nesse mundo de loucos.

E… não que eu tenha me esquecido o gosto da companhia,
eu simplesmente descobri o doce sabor da solidão.”

Rafael Meck

Como pode?
Assim, do tão longe,
me fazer sofrer?
Feito flor do teu cabelo,
eu me lancei ao vento
pra não sentir este teu sorriso,
e não mais me vestir
desta vontade de ser teu.
Ah, condenei-me.
Na força de uma só foto,
de uma só letra,
esta alma grita.
Tenta, em teus sonhos,
te buscar para os meus.
Não encontra força
para se quer falar
[como caí neste inferno sem volta.
Como pode?
Assim, ser a beleza
e meu desespero?
Eu que neguei toda
forma de sentir,
congelei este coração.
Arrasto estas correntes frias
que teus pedidos me trazem.
Não posso… não dá.
Sou fraco agora.
Sou o erro agora.
Sou o corpo estirado pra você deitar.
Mas eu gosto de você…
Como gosto.
E sei que tudo isso,
ainda… vai passar.

E eu vou me arrepender de cada palavra deste poema…

Esta lua que agora me acorda,
é a mesma que suspira em tua janela.
Prometo-te! Mandarei a ti o meu sorriso por ela.
Espere a noite chegar e pegue-o e abrace-o.
Mas não te esqueças de me mandar o teu de volta.
É que é só assim que eu consigo dormir.
Eu vou.

Vou toda noite vou te esperar, lua.

É que uma metade de mim é saudade.
A mais limpa e singela saudade.
E quer saber?
A outra também.


Eu vi, assim, dois pingos de chuva apostando corrida no vidro da janela do ônibus. Uma disputa convicta, dura e lerda. Com esforço, os pingos deslizavam, rolavam. O engraçado é que ambos estavam pra chegar no fim, na linha de chegada. E sem mais nem menos, se uniram e viraram um pingo só.
Aí pensei: “Isso é que é espírito esportivo”.